Brasileiros analisam impacto dos investimentos estrangeiros
Depois de assistir as palestras do primeiro dia da Spring Convention e constatar a grandiosidade do mercado americano de shoppings, os participantes do programa Abrasce / GS&MD em Lãs Vegas se reuniram para comentar suas impressões e avaliar conjuntamente o momento atual da indústria de shopping center no Brasil e no mundo.
“É difícil correlacionar o que assistimos aqui – tanto nas palestras, como nas feiras – com o que temos no Brasil, pois o tamanho dos mercados é incomparável. Mas dá para percebermos alguns movimentos e analisarmos os impactos deles”, ponderou o diretor-executivo da Abrasce, Luiz Fernando Pinto Veiga, iniciando a reunião.
Para orientar a avaliação, Marcos Gouvêa de Souza fez um retrospecto lembrando que a economia americana viveu um período de “exuberância irracional” até 1999; seguido por uma desaceleração no crescimento, nos três anos seguintes. “A partir de 2003, a situação volta a melhorar - até 2006. Hoje, o mundo todo está atento e receando a recessão na economia americana”.
O Brasil, ainda que sob influência direta dos acontecimentos mundiais, não apresenta internamente uma situação de risco, como há tempos já foi vivida. Esse foi um consenso entre os presentes na reunião. Mas restou dúvidas com relação à capacidade de o mercado consumidor brasileiro suportar a oferta de novos shopping centers, que vem sendo prenunciada, com as notícias dos investimentos estrangeiros no setor.
“Com que lojistas vão contar todos os novos projetos de shoppings?”, questionou Joseph Roque, do grupo São Marcos, levando o grupo a incluir a queda no valor dos aluguéis como um dos impactos de um possível aumento no número de empreendimentos, decorrente do aporte de capital estrangeiro. A entrada de varejistas estrangeiros no mercado foi também discutida. “Esses grupos que estão fazendo parcerias com os brasileiros trarão também novas marcas do varejo para cá”, sugeriu Luiz Fernando. Com sua experiência junto ao varejo internacional, Marcos Gouvêa comentou, no entanto, que o Brasil está fora da rota de expansão das principais redes, sobretudo nos segmentos de supermercados, eletrodomésticos e lojas de departamento.
O grupo também destacou que a forma de atuação dos novos investidores – muito focada em resultados – vai alterar as relações comerciais entre empreendedores e varejistas. “Não vai restar qualquer espaço para o amador”, alertou Odemir Vianna, da Richard Ellis.
Os impactos da intensa movimentação no setor de shopping centers vivida atualmente no Brasil continuarão sendo debatidos nesta terça-feira. |
Governo e iniciativa privada, juntos, no desenvolvimento de novos projetos
Primeiras apresentações da Spring Convention reúnem prefeitos e empresários do setor de shoppings
Os temas das duas primeiras apresentações da Spring Convention nesta segunda-feira já despertavam muito interesse: projetos de uso múltiplo e oportunidades em mercados pouco explorados. Mas o que chamou a atenção foi terem sido debatidos por empresários do setor de shoppings junto a prefeitos das principais cidades americanas.
No primeiro debate, os projetos de uso múltiplo – que reúnem shopping centers, hotéis, residências, torres de escritório – foram tratados como empreendimentos que contribuem fortemente no processo de revitalização dos centros urbanos. Mais do que isso, foram chamados de “bairros inteligentes” e, como tal, dignos de todo apoio e incentivos governamentais.
Por exigirem estudos aprofundados e planejamento rigoroso, são projetos de alto custo e por isso requerem as vantagens ofertadas pelo setor público.
John Bucksbaum, Chairman do ICSC, destacou que, em geral, esses projetos não nascem do zero, com todos os empreendimentos sendo construídos sobre um terreno vazio – “isso até pode ocorrer, mas são oportunidades raras. O mais comum é partirmos de um projeto já existente, em que a demanda cresceu ou se modificou”, disse ele, acrescentando que a “densificação” é a tendência atual do setor de shoppings nos Estados Unidos.
Segundo ele, nos anos 80, quando começaram a surgir, os projetos de uso misto previam a construção de todos os empreendimentos de uma só vez. “Mas nem sempre havia demanda para todos e os projetos, então, eram mal sucedidos, ficando este formato com uma má reputação”.
James Ratner, empresário de Cleveland, OH, acrescentou que é importante cada um dos empreendimentos ter uma identidade própria e ser viável economicamente. “Cada uma das partes do projeto deve ser independente da outra – tanto do ponto de vista econômico, quanto na identidade”.
John Rickenlooper , prefeito de Denver, CD, explicou que as comunidades, muitas vezes têm uma visão limitada ou um interesse restrito e, por isso, reclamam de alguns projetos. “Todos apóiam o crescimento inteligente, mas, quando é apresentada uma proposta de densificação, as pessoas recusam alegando que haverá aumento no tráfego e outros impactos. Ao contrário, a idéia do uso múltiplo é justamente a de que as pessoas possam morar, trabalhar e se divertir no mesmo lugar, reduzindo a necessidade de transporte”.
Douglas Palmer, prefeito de Trenton, NJ, destacou que, com criatividade, pode-se criar várias alternativas interessantes nos projetos – “temos, por exemplo, um estacionamento estadual que atende aos prédios do governo e fica vazio após às 16 horas, podendo ser feita uma parceria para o seu aproveitamento”, mencionou.
Reconstruir áreas afetadas pelo furacão Katrina e transformar regiões favelizadas, foram outras sugestões, apresentadas pelo empresário Michael Roberts, de St. Louis,MO.
Os minutos finais do debate foram aquecidos com as propostas de projetos que, além de estarem adaptados às comunidades, possam também resolver seus problemas. Os participantes comentaram, por exemplo, a necessidade de incluir residências para as classes de baixa renda nestes projetos:
“Nós aceitamos a idéia de incluir essas residências, mas temos que saber qual a quantidade será necessária para calcularmos onde iremos alocá-las e com que recursos, para não inviabilizarmos o projeto. Eu entendo que as pessoas da classe trabalhadora não devem viver segregadas; nós podemos fazer casas de trabalhadores em nossos projetos”, destacou James Ratner, que é Vice-Presidente da Forest City Enterprises, em Cleveland, OH.
John Bucksbaum arrematou a conversa explicando que há caminhos diversos para os projetos contribuírem socialmente : “pode-se diminuir o consumo de energia para o aquecimento e resfriamento de áreas, promover a educação, o reaproveitamento de recursos naturais – as soluções são muitas. Só não devemos esperar regulamentação sobre isso, para começarmos a fazer. Quando vem a regulamentação já é tarde. Precisamos tomar a iniciativa antecipadamente e isso não é difícil”.
Questionados sobre como seria um “prefeito perfeito”, os empresários disseram que o ideal é o governante que tem visão clara dos rumos que a cidade e a sociedade estão tomando e dialogam abertamente com o público. Em resposta, os prefeitos disseram que os empresários perfeitos seriam aqueles criativos e confiáveis. “Estamos fartos daqueles que, na terceira reunião, já não querem mais conversar sobre seus projetos. Tem que haver consenso entre o projeto e a comunidade. E os empreendedores devem levar em consideração o timing do desenvolvimento urbano de uma cidade”, ressaltou Shirley Franklin, prefeita de Atlanta.
Prefeitos dispostos a conceder os mais diversos benefícios
No segundo debate da segunda-feira, outros sete prefeitos ressaltaram ainda mais a importância das parcerias com a iniciativa privada para a revitalização das cidades.
“Nós precisamos de projetos que deixem as cidades mais agradáveis. Não só a infra-estrutura que os shoppings promovem é importante como também o que trazem em para o lazer da comunidade”, destacou o prefeito de Louisville, KY, Jerry Abramson, dizendo que tem diferentes formas de incentivar empreendedores – “eu posso dar o incentivo e negociar um prazo. Se o empreendimento cumprir suas funções no prazo, nós liquidamos o débito”, sugeriu.
Como contrapartida aos benefícios que receberem dos governos, Mick Cornett, de Oklahoma City, OK, sugeriu que os shoppings façam investimentos em educação. Cory Booker, prefeito de Newark, NJ, falou em capacitação de profissionais até mesmo para atender as próprias demandas dos shoppings. E Byron Bronw, de Buffalo, NY, completou com a sugestão de universidades empreendidas por empresários do setor de shoppings para “promover o emprego do futuro”.
Adrian Fenty, prefeito de Washington, DC, revelou que a capital dos Estados Unidos precisou e ainda precisa da iniciativa privada para revitalizar os bairros do centro. “Toda revitalização atualmente requer a participação do setor privado”, enfatizou Oscar Goodman, prefeito de Las Vegas. Encerrando, Sheila Dixon, prefeita de Baltimore, convidou empresários a “se comunicarem com a comunidade”.
Depois das apresentações, os prefeitos foram para o Public Sector Showcase, área de exposição onde as cidades, os estados e agências de desenvolvimento econômico expõe seus atrativos e benefícios para o setor de shoppings.
Uma grande festa para os 50 anos do ICSC
Spring Convention é inaugurada com 47 mil inscritos e um clima de muita expectativa
O maior evento mundial do setor de shopping centers começou neste domingo, em Las Vegas, numa tarde ensolarada, com calor de mais de 30 graus. Nos salões do Las Vegas Center Convention, que abrigam a Spring Convention, o clima era ainda mais fervoroso por conta da expectativa gerada em torno da comemoração dos 50 anos do International Council of Shopping Centers.
Fundado pelos empresários que criaram o conceito de shopping center, o ICSC é hoje conhecido e respeitado mundialmente. Conta com 68 mil associados em 92 países; organiza 250 eventos por ano, reunindo um público que passa de 120 mil profissionais.
A Spring Convention é, de longe, o mais importante desses eventos. Aliás, é o 12o maior evento de negócios na América do Norte. Este ano, já foram contabilizados mais 44,4 mil inscritos, antecipadamente. Os organizadores acreditam que, com as inscrições feitas no local, o evento terá mais de 47 mil participantes.
Como é de se imaginar – a considerar esse público – tudo na Spring Convention é muito grande; e, ano após ano, cresce ainda mais. Essa edição ocupa mais de 200 mil metros quadrados. Só o Leasing Mall - área onde as empresas do setor de shoppings (empreendedores, varejistas, setor público, financiadores, entre outros) se instalam, com o objetivo claro de fechar negócios - ocupa 185 mil metros quadrados, com a participação de 1200 expositores. O maior estande é o do grupo Simon Property, que marca presença nessa área do evento desde que ela foi criada, há 25 anos.
A Trade Exposition – feira onde são mostradas todas as novidades em produtos e serviços para shopping centers – é mais antiga: tem 35 anos. E também cresce a cada edição. No ano passado, teve 330 expositores. Esse ano, conta com 368. E o mais fiel – presente desde a primeira edição – é o grupo Blair Sign Co. Cerca de 10% dos exibidores estão participando pela primeira vez.
Como parte da Trade Exposition, há o Public Sector Showcase, uma área que abriga representantes do governo e agências de desenvolvimento econômico das cidades e estados americanos apresentando oportunidades para o desenvolvimento de shoppings. Neste ano, são 56 exibidores. O Public Sector Showcase foi criado na edição de 2004 da Spring Convention.
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