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| 7º
Congresso Internacional: Shopping Centers nas Américas |
| Flamboyant,
AutoShopping Global e Morumbi são os grandes ganhadores
dos prêmios ABRASCE |
| Os
prêmios Comunitário Newton Rique e Excelência
de Gestão de 2002 foram entregues no segundo
dia do 7o Congresso da ABRASCE. Os membros da comissão
julgadora foram escolhidos entre os mais importantes
representantes do setor, que utilizaram os critérios
de avaliação do International Council
of Shoppping Centers, de Nova York. O Prêmio Comunitário
Newton Rique, criado em homenagem a um dos ícones
do setor no país, o empresário Newton
Rique, visa a recompensar projetos dedicados a melhor
a qualidade de vida da comunidade em torno do empreendimento.
Este ano, o prêmio foi dividido pelo Flamboyant
Shopping, de Goiânia, e o AutoShopping Global,
de São Paulo. Já o Excelência em
Gestão premia projetos inovadores relacionados
à administração de shoppings. O
vencedor de 2002 foi o Morumbi Shopping, com uma campanha
de reposicionamento do empreendimento na cidade de São
Paulo. |
| Inovação
na palestra de marketing |
O último painel do 7º Congresso da Abrasce
teve o marketing como tema. O coordenador da mesa, o
presidente do Grupo Nacional Iguatemi, Renato Rique,
inovou ao apresentar uma palestra em conjunto com o
americano Wally Brewster, vice-presidente de marketing
corporativo e comunicações da General
Growth Properties. Os dois se revezaram na exposição
das estratégias de suas empresas na área
de marketing, usando simultaneamente dois telões,
localizados à esquerda e à direita da
mesa. Em alguns pontos, como objetivos gerais, os dois
não diferiram muito. Rique pretende aumentar
a rentabilidade do empreendimento em 10%, enquanto Brewster
espera aumento de 10% para vendas totais e 5% em 2003
em comparação com o mesmo período
de 2002. Curiosamente, o orçamento da americana
Growth Properties em marketing é menor do que
a do empreendimento brasileiro. Brewster disse que os
gastos com essa área são de R$ 2, 3 milhões,
sendo que 64% desse valor são usados em promoções
e apenas 17% em propaganda. No Brasil, a situação
do grupo liderado por Rique é bastante diferente.
Cerca de R$ 4,8 milhões são destinados
ao marketing, mas 47%, quase a metade do total, são
canalizados para a comunicação. O calendário
promocional também difere de país para
país. No Brasil, por exemplo, há dia dos
pais, das mães, dos namorados e das crianças.
Nos Estados Unidos, os consumidores não costumam
dar presentes nessas datas, mas enviar flores e cartões
nessas datas.
O presidente da Shopinvest, Paul Duval, fez um histórico
da comercialização das lojas. Para ele,
muitas coisas mudaram desde o Plano Real, a começar
pela queda da inflação. Hoje, o lojista
é mais exigente e criativo. Outro ponto destacado
por Duval foi a atuação da equipe de comercialização,
que deve estar próxima do lojista, tentando conhecer
suas necessidades. A gerente de marketing do Shopping
Montevideo, Martha Penadés, afirmou que o consumidor
uruguaio está passando por um momento de grande
dificuldade financeira e, por isso, pensa muito antes
de comprar. A estratégia de marketing desenvolvida
pelo shopping para esta fase difícil do mercado
foi o "Presente Perfeito". Qualquer presente
comprado no shopping pode ser trocado por qualquer outra
mercadoria, em qualquer das lojas do shopping. Segundo
Martha, a estratégia deu certo e as vendas vêm
aumentando desde então. |
| Exposhopping
gera grandes expectativas nos fornecedores |
Foram
34 empresas prestadoras de serviços ou fabricantes
de equipamentos para shopping centers participando como
expositoras na sétima edição da
Exposhopping. Para a grande maioria delas, a feira,
que se encerra hoje, deixa boas perspectivas de fechamento
de novos negócios.
"Esta é a segunda vez que participamos da
Exposhopping. Estamos mostrando novidades e aqui se
reúnem as pessoas que tomam decisão, por
isso é grande a nossa expectativa com relação
ao que pode resultar desses contatos", disse o
engenheiro Marcelo Hara, da ESB.
Executivos da Feixe Tecnologia, que também participa
pela segunda vez da Exposhopping, dizem que estão
dando continuidade a relacionamentos que começaram
há dois anos, na edição anterior
da feira. "Naquela nossa primeira participação
como expositores, o mercado começou a conhecer
a nossa empresa. Agora estamos aqui de novo trazendo
novos produtos e serviços", comentou Paulo
Sergio, diretor.
A Cipollatti, por sua vez, empresa de decoração
de natal, tradicional expositora - aproveitou para criar
um lounge, onde, nos três dias da feira, os participantes
do congresso se reuniram com descontração.
"Esta não é a época em que
estamos preocupados em vender nosso produto. É
a hora de aprofundar o relacionamento, conhecer as pessoas
de perto, conversar sobre o mercado, perceber as expectativas
de cada um dos nossos clientes efetivos e dos clientes
em potencial" , declarou Conceição
Cipollatti, acrescentando que todas as pessoas representativas
da indústria de shoppings circularam pela feira
"os maiores empreendedores, superintendentes,
gerentes de marketing". Segundo ela, os executivos,
este ano, demonstraram grande entusiasmo e bastante
confiança no desempenho do varejo no próximo
Natal. |
| Varejistas
estrangeiros confirmam interesse pelo Brasil |
Uns
já vieram e se dizem satisfeitos. Outros se preparam
para introduzir suas marcas no varejo brasileiro. Reunidos
em um mesmo painel no 7º Congresso Internacional
da Abrasce, Pierre Courty, da FNAC, José Galló,
da Renner, e Beric Christiansen, da Payless ShoeSource,
confirmaram o interesse de grandes redes varejistas
internacionais em expandir suas atividades pela América
Latina, em especial no Brasil.
Pierre Courty foi o primeiro a falar. Comentou que a
rede francesa FNAC de artigos produtos culturais
e de lazer (discos, livros, informática, fotografia
e telefonia) - , atualmente com 87 lojas no mundo, pretende
abrir 15 unidades no Brasil. Três já funcionam
com sucesso - em São Paulo no Rio de Janeiro.
"Imaginamos inaugurar mais três em São
Paulo, mais duas no Rio e uma em capitais como Recife
ou Salvador".
Depois de Pierre, José Galló explicou
as razões que levaram o grupo J.C. Penney a adquirir
a rede Renner: "o Brasil tem 172 milhões
de habitantes, dos quais 140 milhões estão
na área urbana e 54 milhões em grandes
centros. O consumo, desde o Plano Real, está
mais bem distribuído com grande participação
das classes C e D. A população é
jovem 40% na faixa de 0 a 19 anos e 57% de 0
a 29 anos", argumentou o executivo lembrando ainda
que a crescente participação da mulher
no mercado de trabalho também contribui para
o incremento das vendas no comércio varejista.
"Em lojas de departamento, as mulheres são
responsáveis por mais de 90% do que é
vendido". Galló lembrou que a expansão
da Renner se deu pelo aproveitamento da oportunidade
surgida no mercado com a falência das redes Mesbla
e Mappin "foram 40 anos para que a rede
somasse 21 lojas. Depois, em dois anos inauguramos 33
unidades".
Por fim, o painel apresentou ao mercado nacional a Payless
ShoeSource, um dos maiores varejistas de calçados
do mundo, com 5 mil lojas em 12 países. Beric
Christiansen, vice-presidente da rede, disse que esta
foi sua primeira vinda ao Brasil e que pretende voltar
em breve fechando negócios. A Payless iniciou
sua expansão internacional partindo dos Estados
Unidos para o Canadá, onde abriu mais de 300
lojas em cinco anos. Em 2000 começou a explorar
o mercado da Costa Rica e recentemente aportou também
o Equador, Perú e Chile. As lojas na América
Central e do Sul são menores que as norte-americanas
tem entre 160 e 220 metros quadrados, enquanto
as demais ficam entre 300 metros quadrados. O conceito,
no entanto, é o mesmo - o da auto-seleção:
o cliente fica à vontade para experimentar os
sapatos e só pede a ajuda do vendedor se quiser.
Beric declarou que, apesar das dificuldades a
diversidade climática, a necessidade de reduzir
estoques, já que a área das lojas é
menor, entre outras a expansão da rede
continuará pela região sul do continente:
"nos Estados Unidos, o crescimento só é
possível pelo aumento demográfico. Creio
que o consumidor aqui será receptivo ao nosso
conceito". |
| Flamboyant
e AutoShopping Global dividem Prêmio Newton Rique |
| A
comissão julgadora decidiu conceder o Prêmio
Comunitário Newton Rique a dois shoppings que
mostraram preocupação com o bem-estar
das comunidades: o Flamboyant Shopping, de Goiás,
e o AutoShopping Global, de São Paulo. O primeiro
criou o projeto "Salão Nacional de Arte
de Goiás". Os freqüentadores do shopping
puderam ver uma exposição com artistas
de todo o Brasil, previamente selecionados por uma comissão
especializada no assunto. Qualquer artista poderia se
inscrever no projeto. No fim, o shopping ainda produziu
um livro com os trabalhos expostos. O prêmio foi
entregue pelo chairman do International Council of Shoppping
Centers, Gary Rappaport, ao representante do shopping,
Lourival Louza Junior. O outro premiado, o AutoShopping
Global, desenvolveu o projeto "Vigilantes do Trânsito",
destinado a ensinar a crianças de três
a dez anos noções como cidadania, reciclagem
e preservação do patrimônio público.
O integrante do Conselho Consultivo da Abrasce, Renato
Rique, entregou o prêmio a Rubens Sette Simonsen,
do AutoShopping. O Prêmio de Mérito Comunitário
Newton Rique ficou com o Shopping Penha, de São
Paulo. Em parceria com o Ministério da Educação,
o Penha criou um programa de alfabetização
para a cidade de Barroquinha, no interior do Ceará,
a cidade com a maior taxa de analfabetismo do Brasil
(46%), segundo dados do IBGE. O projeto custou ao shopping
R$ 51 mil e atendeu a 500 alunos. O diretor do Estudio
Luis E. Lecueder, o uruguaio Carlos Lecueder, entregou
o prêmio à representante do shopping, Dulcimar
Fernandes. |
| MorumbiShopping
ganha o Excelência de Gestão |
| O
Prêmio Excelência de Gestão premiou
três shoppings, um com o prêmio principal
e dois com o de mérito. O programa de reposicionamento
do MorumbiShopping na cidade de São Paulo foi
considerado pela comissão o melhor nesta categoria.
Com uma música inédita de Tom Jobim, "Te
amo, São Paulo", o departamento de marketing
criou uma campanha que mesclou pessoas comuns e famosas
e foi lançada no dia do aniversário da
cidade. Além disso, foram criadas camisas com
desenhos sobre monumentos de São Paulo. O presidente
da Abrasce, Paulo Stewart, entregou o prêmio a
Luiz Quinta, Dóris Weinberg e Beatriz Alves,
representantes do MorumbiShopping no congresso. O Prêmio
de Mérito em Excelência em Gestão
foi para o São Conrado Fashion Mall, do Rio de
Janeiro, e o Jardim Sul, de São Paulo. O primeiro
estava com a imagem desgastada, inadimplência
alta e grande vacância. A partir de 1994, implantou
um programa de redimensionamento e refinamento do mix.
Hoje, é de 100%, a inadimplência é
zero e houve um aumento das vendas. O presidente do
ICSC, Michael Kercheval, entregou o prêmio a Célio
Pinto, do Fashion Mall. O Jardim Sul enfrentava problemas
como a Marginal Rio Pinheiros, que afastava clientes
do shopping. Também não havia uma definição
sobre o perfil do empreendimento: um shopping grande
para ser de vizinhança e, ao mesmo tempo, pequeno
para São Paulo. Com ações de marketing
integrado foi possível, em dois anos, aumentar
as vendas em 43% e o aluguel em 39%. O diretor-superintendente
da Enplanta Engenharia, Henrique Falzoni, fez a entrega
do prêmio a Gabriel Ribeiro e Carlos Zannetti. |
| Formatos
cada vez mais diversificados |
A
necessidade de diversificar projetos aliada à
criatividade dos planejadores tem feito com que a indústria
de shopping centers extrapole a classificação
atual de tipos de empreendimentos. Além dos regionais,
comunitários, de vizinhança, outlets,
festival centers, surgem lifestyles, projetos aliados
a aeroportos, cassinos, resorts e projetos híbridos
ainda de difícil definição. Foi
isso que mostrou o painel "Novos formatos de Shoppings",
no segundo dia do 7o Congresso Internacional da Abrasce.
Gary Rappaport, chairman do ICSC, comentou que, nos
Estados Unidos, muitos empreendedores estão empenhados
em adquirir centros já existentes e renová-los.
"são projetos de 30, 40 anos, que nós
revitalizamos, expandimos e atribuímos uma administração
profissional", disse.
Segundo Gary, o mercado americano tem acolhido bem os
projetos de shoppings de conveniência com
10, 15 lojas, em cerca de 2 mil metros quadrados, sem
âncoras; os de vizinhança ancorados
por um supermercado, cercado por 15 a 25 lojas, em até
15 mil metros quadrados; os comunitários
com duas ou três âncoras e mais 30 a 50
lojas, em ate 40 mil metros quadrados; e os lifestyles
com mix muito forte nos segmentos de lazer e
entretenimento, aliado a operações grandes
de saúde, alimentação, hotel.
"São projetos de baixo custo, abertos, sem
estacionamento, sem ar condicionado", explicou.
Roy Higgs, do Design Group, mostrou empreendimentos
revitalizados pela empresa em diferentes regiões
dos Estados Unidos e também na África
do Sul. Entre eles o Menlyn Park, que ganhou prêmio
do ICSC em 2002. O shopping tem hoje as mais diversas
atrações desde trapezistas no mall
até um drive in no estacionamento.
Outro destaque apresentado pelo executivo foi o Expo
Explore "um conceito que virou marca",
segundo ele. Trata-se de uma operação,
com cerca de 40 mil metros quadrados, reunindo cinemas,
teatros, parque de skate, parque aquático, uma
rocha de 24 metros de altura para escalada e um mix
de lojas bastante voltado ao esporte. |
| Vantagens
da terceirização na gestão operacional |
| Abrindo
a palestra "Gestão e Tecnologia", o
vice-presidente da Abrasce, Claudio Guaranys, expôs
a experiência de terceirização nos
shopping centers. O objetivo das administrações
dos shoppings é reduzir os encargos condominiais
com a terceirização nas áreas de
manutenção, elétrica, limpeza e
segurança. Segundo Guaranys, esse modelo de gestão
seria o mais adequado para enfrentar as novas demandas
do mercado. Um aspecto importante da terceirização,
segundo ele, é a necessidade de contratar várias
empresas para diminuir os riscos. Caso ocorra algum
problema com uma das empresas, os outros serviços
não ficam prejudicados. Na gerência técnica
operacional dos shoppings do grupo Brascan, do qual
Guaranys é diretor de operações,
a redução de custos foi de 21%. Antes
das terceirização, havia 100 funcionários
próprios e 35 terceirizados. Depois das transformações,
os funcionários próprios passaram para
19 e os terceirizados passaram a ser 100. O modelo,
no entanto, também pode ser estendido para o
setor administrativo. Nos shoppings do grupo Brascan,
por exemplo, foram terceirizadas as áreas de
marketing, com a contratação da Salles
D'Arcy, merchandising (Marketing Mix), comercialização
(Expertise), auditoria (C. A Auditoria Liporace Aud.),
arquitetura (A. P. C), recepção e mensagem
(Quality), operação do estacionamento
(Rio Park e Easy Parking) e assessoria de imprensa (Edelman
Brasil). O trabalho do shopping, segundo Guaranys, é
o de administração desses talentos. |
| Transparência
na relação dos shoppings com a sociedade |
O
empresário Paulo Malzoni Filho, da Plaza Shopping
Empreendimentos, mostrou as vantagens da transparência
entre a administração dos shoppings e
entidades como imprensa, fornecedores, funcionários,
assessoria, investidores e órgãos públicos.
Um dos pontos discutidos foi a transparência entre
administradores e lojistas. Um de suas sugestões
para melhorar essa relação é o
"Projeto Sedução", constituído
por três fases: encontros periódicos entre
administradores e lojistas, treinamento para o lojista
(vendedores e gerentes) e realização de
palestras direcionadas ao varejo.
No caso do Pátio Higienópolis, a administração
do shopping fez uma parceria com órgãos
públicos para reformular sinais de trânsito
e criar um transporte gratuito. Com a Depav/Condephat,
a parceria foi feita em torno da preservação
da memória do bairro, uma das preocupações
dos moradores. O shopping fez ainda um trabalho para
se adaptar ao estilo de vida do bairro, com a criação
de um "bebedouro" para cachorros. Até
a imprensa, inicialmente crítica em relação
à construção do shopping, passou
a fazer matérias favoráveis ao empreendimento
graças ao trabalho de informação
feito pela administração. |
| O
uso da tecnologia da informação |
| O
vice-presidente da KGP2, Geraldo Bastos, mostrou as
transformações da tecnologia da informação
nos últimos anos e o seu uso pelo setor de shopping
centers. Nos anos 60 e 70, havia pouca informatização
e a informática era cara. O tempo de resposta
era de horas e dias. Nas décadas de 80 e 90,
as grandes empresas passaram a trabalhar com micros
e mainframes e as pequenas e médias começaram
a usar PCs em rede e a Internet. Hoje, há uma
alta informatização e, conseqüentemente,
a informática também é mais cara.
O tempo de resposta, por outro lado, diminuiu. Passou
a ser de minutos ou segundos. O sistema mais utilizado
hoje é o Datacenter, que permite reduzir os custos
das administrações dos shoppings. Entre
outras coisas, o modelo permite disponibilidade, acessibilidade
em qualquer lugar do mundo, integração
e segurança. O último item é particularmente
importante quando se sabe que 70% das tentativas de
invasão vêm dos funcionários da
própria empresa e não de fora. |
| Prudential
investirá em shoppings no país |
O
diretor para a América Latina da empresa seguradora
americana Prudential Real Estate Investors, Roberto
Ordorica, anunciou ontem a intenção de
investir no Brasil no ramo de shopping centers e que
procura um sócio nacional para realizar o investimento.
Ordorica disse que sua empresa tomou a decisão
estratégica de investir na América Latina
e que, hoje, para a Prudential, o continente resume-se
a México e Brasil como bons locais para investimento.
Ordorica disse que sua empresa tem um "compromisso
permanente com o Brasil" e que isso pode ser comprovado
pela recente aquisição do capital total
da Bradesco Seguros, que já era 50% da Prudential.
"Somos um bom sócio", afirmou Ordorica.
Ele deu exemplos de associações da Prudential
em outras partes do mundo, onde fica com a maioria do
capital, para mostrar qual a intenção
do investimento. "Quem quiser ser nosso parceiro
tem que tomar uma decisão: quer ser o dono maior
de um empreendimento menor ou quer ser o dono menor
de um empreendimento maior". Para ser a empresa,
tem que optar pela segunda opção.
Ordorica disse que no setor de shopping centers, a Prudential
tem 100% da operação em 1/3 dos empreendimentos
e no restante tem sócios. |
| Fundos
e títulos, alternativas para crescimento |
| Para
o especialista em fundos imobiliários Manoel
Berenguer, uma excelente maneira de investir no setor
de shopping centers é através de Fundos
de Investimento e Certificados de Recebíveis
Imobiliários ou títulos imobiliários.
Em palestra durante o painel Financiamento: Cenários
e Fontes, ele explicou as oportunidades oferecidas por
esses investimentos. Os fundos começaram a entrar
no mercado de shopping center a partir de 1993 e desde
então representam uma nova fonte de recursos
para o setor. Uma de suas principais vantagens é
que o investidor pode comprar parcial ou totalmente
um empreendimento. Além disso, são permitidos
investimentos mínimos de R$ 5 mil ou R$ 10 mil.
Investir num fundo imobiliário de shopping, segundo
Berenguer, é um bom negócio devido à
diversidade de risco envolvida num shopping e ao fato
de o segmento de shopping centers estar atrelado ao
desempenho da economia. Quando a economia melhora, os
shoppings reagem com rapidez, registrando um alto índice
de vendas. O executivo destacou ainda o sentimento de
propriedade que os shoppings passam a seus quotistas.
Quanto aos Certificados de Recebíveis Imobiliários
(CRI's) ou títulos imobiliários, Berenguer
acredita que eles sejam uma opção tão
boa quanto os fundos de investimento. Um ponto fundamental
do título é o fato de ele poder ser emitido
com rapidez. O certificado pode ser lançado dentro
de uma semana e seu registro na Comissão de Valores
Mobiliários só é feito depois,
o que dá agilidade à negociação.
Os prazos praticados são de até dez anos
e as garantias são os próprios recebíveis
que lastreiam os títulos. A tendência é
de que essas opções se tornem mais interessantes
à medida que as taxas de juros caírem. |
| Um
histórico do financiamento do setor |
| A
história dos fundos de investimento no Brasil
foi explicada na palestra do empresário Reinaldo
Rique, diretor-superintendente da R.A.B.R. Participações.
Em 1966, o investimento do Shopping Iguatemi São
Paulo foi feito através da venda de quotas, no
sistema de condomínio de cotas. Muitos empreendimentos
acabaram não indo à frente porque o governo
proibiu este tipo de financiamento. Segundo Rique, deveria
ter havido uma regulamentação em vez de
proibição. Em 1979, é aberta a
linha de financiamento da Caixa Econômica, com
12% de juros mais o indexador UPC, prazo de dez anos
e carência de dois. Os fundos de pensão
entram no mercado de shopping centers em 1988 e hoje
são responsáveis pelo financiamento de
30% da Área Bruta Locável no Brasil. Em
1995 e 1996, com o boom do Plano Real, as vendas aumentaram
e a credibilidade do Brasil no cenário internacional
chegou ao auge. O capital estrangeiro começou
a ver o Brasil como um bom lugar para investimentos.
Essa euforia, no entanto, foi passageira devido às
crises do México, da Ásia e da Rússia.
Em 1996, o BNDES abriu uma linha de crédito para
o setor de shopping centers, com prazo de 4 anos e carência
de 1 ano. De acordo com Rique, o setor espera que o
BNDES possa aumentar a oferta de crédito direto,
hoje de R$ 7 milhões, para R$ 10 ou 12 milhões
nos próximos anos. |
| Fundos
procuram por transparência |
A
diretora da Petros, Eliane Lustosa, que tem cerca de
R$ 250 milhões investidos em shopping centers,
afirmou ontem que o setor é "um bom negócio",
mas que os alguns fundos de pensão perderam recursos
por má informação quando do início
do investimento. "Não é um problema
do setor, mas da forma como foram feitos os investimentos.
É um problema do passado". Segundo ela,
a política, agora, para recursos já investidos,
é: "Se pagou caro no início, realiza
o prejuízo, mas se a rentaibilidade é
baixa, vamos procurar saber porque".
Lustosa disse que, para o futuro, o critério
para decidir por investimentos em shopping centers será
mais rígido com análises mais realistas
e "bunisess plans" mais conservadores. Para
ela, falta um indicador de performance confiável
e benchmarks no setor. Ela disse ainda que os fundos
de pensão reduziram os investimentos, além
das questões de legislação, pela
falta de informações. "A gente sente
falta de transparência", disse.
Ela diz que os fundos imobiliários os CRI (Certificados
de Recebíveis Imobiliários) são
boas alternativas, principalmente por darem maior liquidez
no investimento. Lustosa lembrou ainda que houve uma
redução dos recursos que podem ser investidos
no setor imobiliários. Hoje é de 16% do
total dos recursos do fundo e chegará em 2009
a 8%. Acrescentou que fundos imobiliários eram
considerados até há pouco como parte da
carteira mobiliária mas que, agora, são
considerados investimentos imobiliários. |
| Shoppings
investirão R$ 3 bilhões em cinco anos |
O
setor de shopping centers no Brasil vai investir, nos
próximos cinco anos, cerca de R$ 3 bilhões
em expansões e novos empreendimentos, segundo
avaliação que o presidente da ABRASCE
(Associação Brasileira de Shopping Centers),
Paulo Stewart, fez ontem em sua palestra no painel Shopping
Centers nas Américas, o primeiro do 7º Congresso
Internacional da ABRASCE: Shopping Centers nas Américas.
A avaliação de Stewart se baseia na radiografia
do setor de shopping centers, que prevê para este
período projetos de expansão em 44% dos
shoppings brasileiros e na previsão de inauguração
de mais 25 shoppings no país neste período.
Em sua palestra, Stewart traçou um panorama da
conjuntura brasileira de 1965 até os dias de
hoje e previu que até o ano 2005, os shopping
centers crescerão em média 4,5% ao ano,
enquanto o crescimento do Brasil no período deve
ser de 2,9%, segundo estimativs da RC Consultores, de
Paulo Rabello de Castro, que deu subsídios para
a apresentação.
Stewart mostrou que, apesar de ter havido uma redução
da renda discricionária do brasileiro pelo aumento
da carga tributária e outros pagamentos, os shopping
centers cresceram mais do que o comércio brasileiro
em geral nos últimos anos. Em 2001, por exemplo,
os shopping cresceram 2,68%, enquanto o PIB do país
aumentou 1,5% e o PIB do comércio em geral (medido
pelo IBGE) caiu 0,5%. O PIB da indústria também
teve um decréscimo de 1,21%.
Para Stewart, uma das questões mais importantes
para o futuro da indústria de shopping centers
no país é como encontrar novas formas
de financiamento. Para Paulo, o atual modelo, baseado
no reinvestimento dos empreendedores e nos empréstimos
do BNDES, que tem os melhores juros do mercado, mas
mesmo assim, ainda muito caros, dificulta o desenvolvimento.
Para ele, deve haver uma quebra deste paradigma, com
a utilização de novos instrumentos de
mercado mobiliário, como os fundos imobiliários
e títulos securitizáveis, tendo como garantia
a renda futura ou hipoteca dos shopping centers. |
| Ancoragem
voltada para a criança |
Uma
operação que tem feito enorme sucesso
como âncora de shoppings nos Estados Unidos e
na Espanha foi apresentada pelo mexicano Xavier Lopez
no segundo painel do 7o Congresso. É a "Cidade
da Criança", um parque temático onde
meninos e meninas de até 12 anos se divertem
como se fossem adultos. Com cerca de 6 mil metros quadrados,
estes parques reúnem réplicas de aeroporto,
supermercado, hospital, banco, salão de beleza,
loja de departamento, fábrica de sorvetes, discoteca,
escolas, etc. As crianças passam horas e horas
exercendo as mais diversas funções em
cada uma das áreas. São 800 mil visitantes
anuais, garante Lopez.
A Cidade da Criança conta ainda com o patrocínio
de grandes indústrias que aumentam ainda mais
a atratividade Nestlé, Coca-Cola, Motorola,
3M, American Airlines, entre outras. Segundo Lopez,
a Amazing Toys, empresa responsável pelo projeto,
está negociando a instalação de
parques em vários shoppings da América
Latina. "O shopping é ideal para a operação
porque reduz o nosso investimento em infra-estrutura
sobretudo estacionamento", diz o executivo.
Além deste, o painel mostrou outros destaques
do varejo, como a rede REI, de Bloomington, que comercializa
artigos esportivos e proporciona a chamada "compra
com entretenimento". "Você veste uma
capa de chuva e vai testá-la em um cômodo
onde cai uma chuva artificial. Em outra sala, a temperatura
cai a menos de zero grau e o cliente pode testar um
casaco", mencionou o consultor Marcos Gouvêa
de Souza.
Foi comentado também o crescimento de redes de
material de construção nos shoppings.
"Elas adaptaram suas lojas agora com mix
de produtos mais abrangente, incluindo eletrodomésticos,
por exemplo", disse Marcelo Carvalho, da Ancar
Gestão Integrada de Shopping Centers. |
| América
Latina em compasso de espera |
A
indústria de shopping centers parou na Argentina,
Chile, Uruguai e Paraguai, à espera de uma recuperação
econômica. Foi o que demonstrou, em sua apresentação
no 7o Congresso Internacional, o uruguaio Carlos Lecuerder,
empreendedor e administrador de shoppings com experiências
em todo o continente.
"Os projetos foram interrompidos", disse ele,
após mostrar os números de empreendimentos,
lojas, e a evolução das vendas nos quatro
países nos últimos cinco anos.
"No Chile nada acontece - a economia cresce cerca
de 3% ao ano, quando antes crescia 7%. O Uruguai inveja
isso - o país aposta na reestruturação
do sistema bancário. A Argentina se prepara para
eleições, acreditando que conquistará
o apoio internacional no próximo governo. O Paraguai
vive uma recessão permanente", resumiu.
Segundo Lecuerder, a indústria de shoppings nestes
países está desenvolvendo mecanismos de
sobrevivência neste período de dificuldades.
Diminuir as despesas é a principal meta e para
isso vale inclusive a redução do horário
de funcionamento - "em outros tempos, lutávamos
para estender o horário, agora a situação
pede o contrário". Também foram reduzidas
as ações de marketing envolvendo sorteios
e os eventos de massa que não geram receita significativa.
Em contrapartida, aumentaram as promoções
com apelo em preço. |
| Estados
Unidos em plena recuperação |
Depois
do cenário triste apresentado por Carlos Lecuerder,
o presidente do International Council of Shopping Centers,
Michael Kercheval mostrou horizontes para o público
do 7o Congresso Internacional, dizendo que a economia
americana está em plena recuperação.
Ele fez um histórico da indústria americana
de shoppings, mostrando a evolução desde
1956, quando foi inaugurado o primeiro shopping regional
fechado norte-americano - o Southdale Center.
"Os varejistas mudaram muito nos quarenta anos
que se seguiram, mas os shopping centers não
tanto. A partir dos anos 90 é que a indústria
de shoppings começa a enfrentar desafios que
forçam mudanças - a falta de terrenos,
restrições governamentais e mudanças
no perfil dos consumidores, essencialmente", disse
o executivo.
Atualmente, um dos problemas enfrentados pelos shoppings
nos Estados Unidos é a falência de grandes
redes varejistas - "é um desafio que acaba
gerando oportunidades", garantiu Kercheval afirmando
que abrem mais novas lojas do que fecham.
Com relação à segurança,
o presidente do ICSC mostrou dados de uma pesquisa revelando
que 88% dos consumidores americanos não mudaram
de comportamento em relação ao 11 de setembro.
A maior preocupação dos clientes de shoppings
ainda é a segurança dos estacionamentos
(56% dos entrevistados na pesquisa apontaram este item.
Em segundo lugar (com 24% dos entrevistados), vêm
a preocupação com os adolescentes "que
aparentam vandalismo". Apenas 6% dos entrevistados
revelaram preocupação com terrorismo.
Como medidas para aumentar a segurança nos shoppings,
Kercheval mencionou a instalação de quiosque
como posto policial no mall e carros da polícia
parados nos estacionamentos dos shoppings, além
do uso cada vez maior dos circuitos internos de televisão. |
| Langoni
vê clima favorável para empresariado no médio
prazos |
O
ex-presidente do Banco Central, Carlos Geraldo Langoni,
fêz uma análise macro-econômica dos
últimos anos e traçou um cenário
para o futuro durante apalestra de abertura do 7º
Congresso Internacional da ABRASCE: Shopping Centers
na América Latina. Em um futuro de curto prazo,
até o final do ano, Langoni não está
otimista. Prevê crescimento de 1,5% do PIB e inflação
em tono de 10%, mas no médio prazo "as expectativas
serão menos difíceis, com um clima favorável
para o investimento privado partindo do princípio
que o novo presidente atue de forma responsável".
Para Langoni, o Brasil tem dois grandes desafios, que
são diminuir suas vulnerabilidas internas (dívida
pública e política fiscal) e externas
(déficit em conta corrente alto). Para Langoni,
o país tem condições de crescer
a taxas de 5% ao ano. Ele acredita que o risco-brasil
hoje, expurgadas as causas eleitorais, deveria estar
em 900 pontos.
Antes de Langoni, o novo chairman do ICSC, Gary Rappaport,
saudou os participantes do Congresso, dizendo que os
shopping centers no Brasil são "uma história
de sucesso" e que os pioneiros de mais de 30 anos
continuam no mercado continuam em atividade, muitas
das empresas lideradas agora, pelos filhos de seus fundadores.
"Tenho quatro filhos e espero que um dia eles me
substituam", disse o empreendedor de shopping centers
americano.
Ao abrir o Congresso, o presidente da ABRASCE, Paulo
Stewart, disse que a "indústria de shopping
centers passa por um momento memorável"
em clima de competição e alta profissionalização,
o que pode ser comprovado pelo alto nível dos
expositores da VII Exposhopping. |
| Martha
destaca importância dos shoppings na abertura da
VII Exposhopping |
A
prefeita de São Paulo, Martha Suplicy, abriu
na noite de domingo a VII Exposhopping, feira de comércio
e serviços que se realiza conjuntamente ao 7º
Congresso Internacional da ABRASCE: Shopping Centers,
no Hotel Transamerica, em São Paulo. Em seu discurso,
lembrou a importância do setor na cidade de São
Paulo, que tem mais shoppings do que todos os países
da América do Sul em conjunto, não só
como força econômica, mas também
como ferramenta para fomentar o turismo de lazer e entretenimento.
O presidente da ABRASCE (Associação Brasileira
de Shopping Centers), Paulo Stewart, acompanhado do
vice-presidente Carlos Jereissati Filho, recepcionou
a prefeita, o chairman do ICSC (International Council
of Shopping Centers), Gary Rappaport, e o presidente
do ICSC, Scott Harris e anunciou a abertura da Exposhopping.
Martha, em seu discurso, fez um chamamento aos empresários
de São Paulo para que atuem em parceria junto
à prefeitura para a comemoração
dos 450 anos da cidade, a maior do hemisfério
sul, como lembrou Stewart. Este foi um momento de descontração,
quando Martha disse que a prefeitura estava investindo
na reforma do Shopping Ibirapuera para, logo depois,
com um sorriso, corrigir: "Parque do Ibirapuera". |
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