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7º Congresso Internacional: Shopping Centers nas Américas

Flamboyant, AutoShopping Global e Morumbi são os grandes ganhadores dos prêmios ABRASCE
Os prêmios Comunitário Newton Rique e Excelência de Gestão de 2002 foram entregues no segundo dia do 7o Congresso da ABRASCE. Os membros da comissão julgadora foram escolhidos entre os mais importantes representantes do setor, que utilizaram os critérios de avaliação do International Council of Shoppping Centers, de Nova York. O Prêmio Comunitário Newton Rique, criado em homenagem a um dos ícones do setor no país, o empresário Newton Rique, visa a recompensar projetos dedicados a melhor a qualidade de vida da comunidade em torno do empreendimento. Este ano, o prêmio foi dividido pelo Flamboyant Shopping, de Goiânia, e o AutoShopping Global, de São Paulo. Já o Excelência em Gestão premia projetos inovadores relacionados à administração de shoppings. O vencedor de 2002 foi o Morumbi Shopping, com uma campanha de reposicionamento do empreendimento na cidade de São Paulo.

Inovação na palestra de marketing
O último painel do 7º Congresso da Abrasce teve o marketing como tema. O coordenador da mesa, o presidente do Grupo Nacional Iguatemi, Renato Rique, inovou ao apresentar uma palestra em conjunto com o americano Wally Brewster, vice-presidente de marketing corporativo e comunicações da General Growth Properties. Os dois se revezaram na exposição das estratégias de suas empresas na área de marketing, usando simultaneamente dois telões, localizados à esquerda e à direita da mesa. Em alguns pontos, como objetivos gerais, os dois não diferiram muito. Rique pretende aumentar a rentabilidade do empreendimento em 10%, enquanto Brewster espera aumento de 10% para vendas totais e 5% em 2003 em comparação com o mesmo período de 2002. Curiosamente, o orçamento da americana Growth Properties em marketing é menor do que a do empreendimento brasileiro. Brewster disse que os gastos com essa área são de R$ 2, 3 milhões, sendo que 64% desse valor são usados em promoções e apenas 17% em propaganda. No Brasil, a situação do grupo liderado por Rique é bastante diferente. Cerca de R$ 4,8 milhões são destinados ao marketing, mas 47%, quase a metade do total, são canalizados para a comunicação. O calendário promocional também difere de país para país. No Brasil, por exemplo, há dia dos pais, das mães, dos namorados e das crianças. Nos Estados Unidos, os consumidores não costumam dar presentes nessas datas, mas enviar flores e cartões nessas datas.
O presidente da Shopinvest, Paul Duval, fez um histórico da comercialização das lojas. Para ele, muitas coisas mudaram desde o Plano Real, a começar pela queda da inflação. Hoje, o lojista é mais exigente e criativo. Outro ponto destacado por Duval foi a atuação da equipe de comercialização, que deve estar próxima do lojista, tentando conhecer suas necessidades. A gerente de marketing do Shopping Montevideo, Martha Penadés, afirmou que o consumidor uruguaio está passando por um momento de grande dificuldade financeira e, por isso, pensa muito antes de comprar. A estratégia de marketing desenvolvida pelo shopping para esta fase difícil do mercado foi o "Presente Perfeito". Qualquer presente comprado no shopping pode ser trocado por qualquer outra mercadoria, em qualquer das lojas do shopping. Segundo Martha, a estratégia deu certo e as vendas vêm aumentando desde então.

Exposhopping gera grandes expectativas nos fornecedores
Foram 34 empresas prestadoras de serviços ou fabricantes de equipamentos para shopping centers participando como expositoras na sétima edição da Exposhopping. Para a grande maioria delas, a feira, que se encerra hoje, deixa boas perspectivas de fechamento de novos negócios.
"Esta é a segunda vez que participamos da Exposhopping. Estamos mostrando novidades e aqui se reúnem as pessoas que tomam decisão, por isso é grande a nossa expectativa com relação ao que pode resultar desses contatos", disse o engenheiro Marcelo Hara, da ESB.
Executivos da Feixe Tecnologia, que também participa pela segunda vez da Exposhopping, dizem que estão dando continuidade a relacionamentos que começaram há dois anos, na edição anterior da feira. "Naquela nossa primeira participação como expositores, o mercado começou a conhecer a nossa empresa. Agora estamos aqui de novo trazendo novos produtos e serviços", comentou Paulo Sergio, diretor.
A Cipollatti, por sua vez, – empresa de decoração de natal, tradicional expositora - aproveitou para criar um lounge, onde, nos três dias da feira, os participantes do congresso se reuniram com descontração. "Esta não é a época em que estamos preocupados em vender nosso produto. É a hora de aprofundar o relacionamento, conhecer as pessoas de perto, conversar sobre o mercado, perceber as expectativas de cada um dos nossos clientes efetivos e dos clientes em potencial" , declarou Conceição Cipollatti, acrescentando que todas as pessoas representativas da indústria de shoppings circularam pela feira – "os maiores empreendedores, superintendentes, gerentes de marketing". Segundo ela, os executivos, este ano, demonstraram grande entusiasmo e bastante confiança no desempenho do varejo no próximo Natal.

Varejistas estrangeiros confirmam interesse pelo Brasil
Uns já vieram e se dizem satisfeitos. Outros se preparam para introduzir suas marcas no varejo brasileiro. Reunidos em um mesmo painel no 7º Congresso Internacional da Abrasce, Pierre Courty, da FNAC, José Galló, da Renner, e Beric Christiansen, da Payless ShoeSource, confirmaram o interesse de grandes redes varejistas internacionais em expandir suas atividades pela América Latina, em especial no Brasil.
Pierre Courty foi o primeiro a falar. Comentou que a rede francesa FNAC – de artigos produtos culturais e de lazer (discos, livros, informática, fotografia e telefonia) - , atualmente com 87 lojas no mundo, pretende abrir 15 unidades no Brasil. Três já funcionam com sucesso - em São Paulo no Rio de Janeiro. "Imaginamos inaugurar mais três em São Paulo, mais duas no Rio e uma em capitais como Recife ou Salvador".
Depois de Pierre, José Galló explicou as razões que levaram o grupo J.C. Penney a adquirir a rede Renner: "o Brasil tem 172 milhões de habitantes, dos quais 140 milhões estão na área urbana e 54 milhões em grandes centros. O consumo, desde o Plano Real, está mais bem distribuído – com grande participação das classes C e D. A população é jovem – 40% na faixa de 0 a 19 anos e 57% de 0 a 29 anos", argumentou o executivo lembrando ainda que a crescente participação da mulher no mercado de trabalho também contribui para o incremento das vendas no comércio varejista. "Em lojas de departamento, as mulheres são responsáveis por mais de 90% do que é vendido". Galló lembrou que a expansão da Renner se deu pelo aproveitamento da oportunidade surgida no mercado com a falência das redes Mesbla e Mappin – "foram 40 anos para que a rede somasse 21 lojas. Depois, em dois anos inauguramos 33 unidades".
Por fim, o painel apresentou ao mercado nacional a Payless ShoeSource, um dos maiores varejistas de calçados do mundo, com 5 mil lojas em 12 países. Beric Christiansen, vice-presidente da rede, disse que esta foi sua primeira vinda ao Brasil e que pretende voltar em breve fechando negócios. A Payless iniciou sua expansão internacional partindo dos Estados Unidos para o Canadá, onde abriu mais de 300 lojas em cinco anos. Em 2000 começou a explorar o mercado da Costa Rica e recentemente aportou também o Equador, Perú e Chile. As lojas na América Central e do Sul são menores que as norte-americanas – tem entre 160 e 220 metros quadrados, enquanto as demais ficam entre 300 metros quadrados. O conceito, no entanto, é o mesmo - o da auto-seleção: o cliente fica à vontade para experimentar os sapatos e só pede a ajuda do vendedor se quiser.
Beric declarou que, apesar das dificuldades – a diversidade climática, a necessidade de reduzir estoques, já que a área das lojas é menor, entre outras – a expansão da rede continuará pela região sul do continente: "nos Estados Unidos, o crescimento só é possível pelo aumento demográfico. Creio que o consumidor aqui será receptivo ao nosso conceito".

Flamboyant e AutoShopping Global dividem Prêmio Newton Rique
A comissão julgadora decidiu conceder o Prêmio Comunitário Newton Rique a dois shoppings que mostraram preocupação com o bem-estar das comunidades: o Flamboyant Shopping, de Goiás, e o AutoShopping Global, de São Paulo. O primeiro criou o projeto "Salão Nacional de Arte de Goiás". Os freqüentadores do shopping puderam ver uma exposição com artistas de todo o Brasil, previamente selecionados por uma comissão especializada no assunto. Qualquer artista poderia se inscrever no projeto. No fim, o shopping ainda produziu um livro com os trabalhos expostos. O prêmio foi entregue pelo chairman do International Council of Shoppping Centers, Gary Rappaport, ao representante do shopping, Lourival Louza Junior. O outro premiado, o AutoShopping Global, desenvolveu o projeto "Vigilantes do Trânsito", destinado a ensinar a crianças de três a dez anos noções como cidadania, reciclagem e preservação do patrimônio público. O integrante do Conselho Consultivo da Abrasce, Renato Rique, entregou o prêmio a Rubens Sette Simonsen, do AutoShopping. O Prêmio de Mérito Comunitário Newton Rique ficou com o Shopping Penha, de São Paulo. Em parceria com o Ministério da Educação, o Penha criou um programa de alfabetização para a cidade de Barroquinha, no interior do Ceará, a cidade com a maior taxa de analfabetismo do Brasil (46%), segundo dados do IBGE. O projeto custou ao shopping R$ 51 mil e atendeu a 500 alunos. O diretor do Estudio Luis E. Lecueder, o uruguaio Carlos Lecueder, entregou o prêmio à representante do shopping, Dulcimar Fernandes.

MorumbiShopping ganha o Excelência de Gestão
O Prêmio Excelência de Gestão premiou três shoppings, um com o prêmio principal e dois com o de mérito. O programa de reposicionamento do MorumbiShopping na cidade de São Paulo foi considerado pela comissão o melhor nesta categoria. Com uma música inédita de Tom Jobim, "Te amo, São Paulo", o departamento de marketing criou uma campanha que mesclou pessoas comuns e famosas e foi lançada no dia do aniversário da cidade. Além disso, foram criadas camisas com desenhos sobre monumentos de São Paulo. O presidente da Abrasce, Paulo Stewart, entregou o prêmio a Luiz Quinta, Dóris Weinberg e Beatriz Alves, representantes do MorumbiShopping no congresso. O Prêmio de Mérito em Excelência em Gestão foi para o São Conrado Fashion Mall, do Rio de Janeiro, e o Jardim Sul, de São Paulo. O primeiro estava com a imagem desgastada, inadimplência alta e grande vacância. A partir de 1994, implantou um programa de redimensionamento e refinamento do mix. Hoje, é de 100%, a inadimplência é zero e houve um aumento das vendas. O presidente do ICSC, Michael Kercheval, entregou o prêmio a Célio Pinto, do Fashion Mall. O Jardim Sul enfrentava problemas como a Marginal Rio Pinheiros, que afastava clientes do shopping. Também não havia uma definição sobre o perfil do empreendimento: um shopping grande para ser de vizinhança e, ao mesmo tempo, pequeno para São Paulo. Com ações de marketing integrado foi possível, em dois anos, aumentar as vendas em 43% e o aluguel em 39%. O diretor-superintendente da Enplanta Engenharia, Henrique Falzoni, fez a entrega do prêmio a Gabriel Ribeiro e Carlos Zannetti.

Formatos cada vez mais diversificados
A necessidade de diversificar projetos aliada à criatividade dos planejadores tem feito com que a indústria de shopping centers extrapole a classificação atual de tipos de empreendimentos. Além dos regionais, comunitários, de vizinhança, outlets, festival centers, surgem lifestyles, projetos aliados a aeroportos, cassinos, resorts e projetos híbridos ainda de difícil definição. Foi isso que mostrou o painel "Novos formatos de Shoppings", no segundo dia do 7o Congresso Internacional da Abrasce.
Gary Rappaport, chairman do ICSC, comentou que, nos Estados Unidos, muitos empreendedores estão empenhados em adquirir centros já existentes e renová-los. "são projetos de 30, 40 anos, que nós revitalizamos, expandimos e atribuímos uma administração profissional", disse.
Segundo Gary, o mercado americano tem acolhido bem os projetos de shoppings de conveniência – com 10, 15 lojas, em cerca de 2 mil metros quadrados, sem âncoras; os de vizinhança – ancorados por um supermercado, cercado por 15 a 25 lojas, em até 15 mil metros quadrados; os comunitários – com duas ou três âncoras e mais 30 a 50 lojas, em ate 40 mil metros quadrados; e os lifestyles – com mix muito forte nos segmentos de lazer e entretenimento, aliado a operações grandes de saúde, alimentação, hotel.
"São projetos de baixo custo, abertos, sem estacionamento, sem ar condicionado", explicou.
Roy Higgs, do Design Group, mostrou empreendimentos revitalizados pela empresa em diferentes regiões dos Estados Unidos e também na África do Sul. Entre eles o Menlyn Park, que ganhou prêmio do ICSC em 2002. O shopping tem hoje as mais diversas atrações – desde trapezistas no mall até um drive in no estacionamento.
Outro destaque apresentado pelo executivo foi o Expo Explore – "um conceito que virou marca", segundo ele. Trata-se de uma operação, com cerca de 40 mil metros quadrados, reunindo cinemas, teatros, parque de skate, parque aquático, uma rocha de 24 metros de altura para escalada e um mix de lojas bastante voltado ao esporte.

Vantagens da terceirização na gestão operacional
Abrindo a palestra "Gestão e Tecnologia", o vice-presidente da Abrasce, Claudio Guaranys, expôs a experiência de terceirização nos shopping centers. O objetivo das administrações dos shoppings é reduzir os encargos condominiais com a terceirização nas áreas de manutenção, elétrica, limpeza e segurança. Segundo Guaranys, esse modelo de gestão seria o mais adequado para enfrentar as novas demandas do mercado. Um aspecto importante da terceirização, segundo ele, é a necessidade de contratar várias empresas para diminuir os riscos. Caso ocorra algum problema com uma das empresas, os outros serviços não ficam prejudicados. Na gerência técnica operacional dos shoppings do grupo Brascan, do qual Guaranys é diretor de operações, a redução de custos foi de 21%. Antes das terceirização, havia 100 funcionários próprios e 35 terceirizados. Depois das transformações, os funcionários próprios passaram para 19 e os terceirizados passaram a ser 100. O modelo, no entanto, também pode ser estendido para o setor administrativo. Nos shoppings do grupo Brascan, por exemplo, foram terceirizadas as áreas de marketing, com a contratação da Salles D'Arcy, merchandising (Marketing Mix), comercialização (Expertise), auditoria (C. A Auditoria Liporace Aud.), arquitetura (A. P. C), recepção e mensagem (Quality), operação do estacionamento (Rio Park e Easy Parking) e assessoria de imprensa (Edelman Brasil). O trabalho do shopping, segundo Guaranys, é o de administração desses talentos.

Transparência na relação dos shoppings com a sociedade
O empresário Paulo Malzoni Filho, da Plaza Shopping Empreendimentos, mostrou as vantagens da transparência entre a administração dos shoppings e entidades como imprensa, fornecedores, funcionários, assessoria, investidores e órgãos públicos. Um dos pontos discutidos foi a transparência entre administradores e lojistas. Um de suas sugestões para melhorar essa relação é o "Projeto Sedução", constituído por três fases: encontros periódicos entre administradores e lojistas, treinamento para o lojista (vendedores e gerentes) e realização de palestras direcionadas ao varejo.
No caso do Pátio Higienópolis, a administração do shopping fez uma parceria com órgãos públicos para reformular sinais de trânsito e criar um transporte gratuito. Com a Depav/Condephat, a parceria foi feita em torno da preservação da memória do bairro, uma das preocupações dos moradores. O shopping fez ainda um trabalho para se adaptar ao estilo de vida do bairro, com a criação de um "bebedouro" para cachorros. Até a imprensa, inicialmente crítica em relação à construção do shopping, passou a fazer matérias favoráveis ao empreendimento graças ao trabalho de informação feito pela administração.

O uso da tecnologia da informação
O vice-presidente da KGP2, Geraldo Bastos, mostrou as transformações da tecnologia da informação nos últimos anos e o seu uso pelo setor de shopping centers. Nos anos 60 e 70, havia pouca informatização e a informática era cara. O tempo de resposta era de horas e dias. Nas décadas de 80 e 90, as grandes empresas passaram a trabalhar com micros e mainframes e as pequenas e médias começaram a usar PCs em rede e a Internet. Hoje, há uma alta informatização e, conseqüentemente, a informática também é mais cara. O tempo de resposta, por outro lado, diminuiu. Passou a ser de minutos ou segundos. O sistema mais utilizado hoje é o Datacenter, que permite reduzir os custos das administrações dos shoppings. Entre outras coisas, o modelo permite disponibilidade, acessibilidade em qualquer lugar do mundo, integração e segurança. O último item é particularmente importante quando se sabe que 70% das tentativas de invasão vêm dos funcionários da própria empresa e não de fora.

Prudential investirá em shoppings no país
O diretor para a América Latina da empresa seguradora americana Prudential Real Estate Investors, Roberto Ordorica, anunciou ontem a intenção de investir no Brasil no ramo de shopping centers e que procura um sócio nacional para realizar o investimento. Ordorica disse que sua empresa tomou a decisão estratégica de investir na América Latina e que, hoje, para a Prudential, o continente resume-se a México e Brasil como bons locais para investimento.
Ordorica disse que sua empresa tem um "compromisso permanente com o Brasil" e que isso pode ser comprovado pela recente aquisição do capital total da Bradesco Seguros, que já era 50% da Prudential. "Somos um bom sócio", afirmou Ordorica.
Ele deu exemplos de associações da Prudential em outras partes do mundo, onde fica com a maioria do capital, para mostrar qual a intenção do investimento. "Quem quiser ser nosso parceiro tem que tomar uma decisão: quer ser o dono maior de um empreendimento menor ou quer ser o dono menor de um empreendimento maior". Para ser a empresa, tem que optar pela segunda opção.
Ordorica disse que no setor de shopping centers, a Prudential tem 100% da operação em 1/3 dos empreendimentos e no restante tem sócios.

Fundos e títulos, alternativas para crescimento
Para o especialista em fundos imobiliários Manoel Berenguer, uma excelente maneira de investir no setor de shopping centers é através de Fundos de Investimento e Certificados de Recebíveis Imobiliários ou títulos imobiliários. Em palestra durante o painel Financiamento: Cenários e Fontes, ele explicou as oportunidades oferecidas por esses investimentos. Os fundos começaram a entrar no mercado de shopping center a partir de 1993 e desde então representam uma nova fonte de recursos para o setor. Uma de suas principais vantagens é que o investidor pode comprar parcial ou totalmente um empreendimento. Além disso, são permitidos investimentos mínimos de R$ 5 mil ou R$ 10 mil. Investir num fundo imobiliário de shopping, segundo Berenguer, é um bom negócio devido à diversidade de risco envolvida num shopping e ao fato de o segmento de shopping centers estar atrelado ao desempenho da economia. Quando a economia melhora, os shoppings reagem com rapidez, registrando um alto índice de vendas. O executivo destacou ainda o sentimento de propriedade que os shoppings passam a seus quotistas. Quanto aos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI's) ou títulos imobiliários, Berenguer acredita que eles sejam uma opção tão boa quanto os fundos de investimento. Um ponto fundamental do título é o fato de ele poder ser emitido com rapidez. O certificado pode ser lançado dentro de uma semana e seu registro na Comissão de Valores Mobiliários só é feito depois, o que dá agilidade à negociação. Os prazos praticados são de até dez anos e as garantias são os próprios recebíveis que lastreiam os títulos. A tendência é de que essas opções se tornem mais interessantes à medida que as taxas de juros caírem.

Um histórico do financiamento do setor
A história dos fundos de investimento no Brasil foi explicada na palestra do empresário Reinaldo Rique, diretor-superintendente da R.A.B.R. Participações. Em 1966, o investimento do Shopping Iguatemi São Paulo foi feito através da venda de quotas, no sistema de condomínio de cotas. Muitos empreendimentos acabaram não indo à frente porque o governo proibiu este tipo de financiamento. Segundo Rique, deveria ter havido uma regulamentação em vez de proibição. Em 1979, é aberta a linha de financiamento da Caixa Econômica, com 12% de juros mais o indexador UPC, prazo de dez anos e carência de dois. Os fundos de pensão entram no mercado de shopping centers em 1988 e hoje são responsáveis pelo financiamento de 30% da Área Bruta Locável no Brasil. Em 1995 e 1996, com o boom do Plano Real, as vendas aumentaram e a credibilidade do Brasil no cenário internacional chegou ao auge. O capital estrangeiro começou a ver o Brasil como um bom lugar para investimentos. Essa euforia, no entanto, foi passageira devido às crises do México, da Ásia e da Rússia. Em 1996, o BNDES abriu uma linha de crédito para o setor de shopping centers, com prazo de 4 anos e carência de 1 ano. De acordo com Rique, o setor espera que o BNDES possa aumentar a oferta de crédito direto, hoje de R$ 7 milhões, para R$ 10 ou 12 milhões nos próximos anos.

Fundos procuram por transparência
A diretora da Petros, Eliane Lustosa, que tem cerca de R$ 250 milhões investidos em shopping centers, afirmou ontem que o setor é "um bom negócio", mas que os alguns fundos de pensão perderam recursos por má informação quando do início do investimento. "Não é um problema do setor, mas da forma como foram feitos os investimentos. É um problema do passado". Segundo ela, a política, agora, para recursos já investidos, é: "Se pagou caro no início, realiza o prejuízo, mas se a rentaibilidade é baixa, vamos procurar saber porque".
Lustosa disse que, para o futuro, o critério para decidir por investimentos em shopping centers será mais rígido com análises mais realistas e "bunisess plans" mais conservadores. Para ela, falta um indicador de performance confiável e benchmarks no setor. Ela disse ainda que os fundos de pensão reduziram os investimentos, além das questões de legislação, pela falta de informações. "A gente sente falta de transparência", disse.
Ela diz que os fundos imobiliários os CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários) são boas alternativas, principalmente por darem maior liquidez no investimento. Lustosa lembrou ainda que houve uma redução dos recursos que podem ser investidos no setor imobiliários. Hoje é de 16% do total dos recursos do fundo e chegará em 2009 a 8%. Acrescentou que fundos imobiliários eram considerados até há pouco como parte da carteira mobiliária mas que, agora, são considerados investimentos imobiliários.

Shoppings investirão R$ 3 bilhões em cinco anos
O setor de shopping centers no Brasil vai investir, nos próximos cinco anos, cerca de R$ 3 bilhões em expansões e novos empreendimentos, segundo avaliação que o presidente da ABRASCE (Associação Brasileira de Shopping Centers), Paulo Stewart, fez ontem em sua palestra no painel Shopping Centers nas Américas, o primeiro do 7º Congresso Internacional da ABRASCE: Shopping Centers nas Américas.
A avaliação de Stewart se baseia na radiografia do setor de shopping centers, que prevê para este período projetos de expansão em 44% dos shoppings brasileiros e na previsão de inauguração de mais 25 shoppings no país neste período.
Em sua palestra, Stewart traçou um panorama da conjuntura brasileira de 1965 até os dias de hoje e previu que até o ano 2005, os shopping centers crescerão em média 4,5% ao ano, enquanto o crescimento do Brasil no período deve ser de 2,9%, segundo estimativs da RC Consultores, de Paulo Rabello de Castro, que deu subsídios para a apresentação.
Stewart mostrou que, apesar de ter havido uma redução da renda discricionária do brasileiro pelo aumento da carga tributária e outros pagamentos, os shopping centers cresceram mais do que o comércio brasileiro em geral nos últimos anos. Em 2001, por exemplo, os shopping cresceram 2,68%, enquanto o PIB do país aumentou 1,5% e o PIB do comércio em geral (medido pelo IBGE) caiu 0,5%. O PIB da indústria também teve um decréscimo de 1,21%.
Para Stewart, uma das questões mais importantes para o futuro da indústria de shopping centers no país é como encontrar novas formas de financiamento. Para Paulo, o atual modelo, baseado no reinvestimento dos empreendedores e nos empréstimos do BNDES, que tem os melhores juros do mercado, mas mesmo assim, ainda muito caros, dificulta o desenvolvimento.
Para ele, deve haver uma quebra deste paradigma, com a utilização de novos instrumentos de mercado mobiliário, como os fundos imobiliários e títulos securitizáveis, tendo como garantia a renda futura ou hipoteca dos shopping centers.

Ancoragem voltada para a criança
Uma operação que tem feito enorme sucesso como âncora de shoppings nos Estados Unidos e na Espanha foi apresentada pelo mexicano Xavier Lopez no segundo painel do 7o Congresso. É a "Cidade da Criança", um parque temático onde meninos e meninas de até 12 anos se divertem como se fossem adultos. Com cerca de 6 mil metros quadrados, estes parques reúnem réplicas de aeroporto, supermercado, hospital, banco, salão de beleza, loja de departamento, fábrica de sorvetes, discoteca, escolas, etc. As crianças passam horas e horas exercendo as mais diversas funções em cada uma das áreas. São 800 mil visitantes anuais, garante Lopez.
A Cidade da Criança conta ainda com o patrocínio de grandes indústrias que aumentam ainda mais a atratividade – Nestlé, Coca-Cola, Motorola, 3M, American Airlines, entre outras. Segundo Lopez, a Amazing Toys, empresa responsável pelo projeto, está negociando a instalação de parques em vários shoppings da América Latina. "O shopping é ideal para a operação porque reduz o nosso investimento em infra-estrutura – sobretudo estacionamento", diz o executivo.
Além deste, o painel mostrou outros destaques do varejo, como a rede REI, de Bloomington, que comercializa artigos esportivos e proporciona a chamada "compra com entretenimento". "Você veste uma capa de chuva e vai testá-la em um cômodo onde cai uma chuva artificial. Em outra sala, a temperatura cai a menos de zero grau e o cliente pode testar um casaco", mencionou o consultor Marcos Gouvêa de Souza.
Foi comentado também o crescimento de redes de material de construção nos shoppings. "Elas adaptaram suas lojas – agora com mix de produtos mais abrangente, incluindo eletrodomésticos, por exemplo", disse Marcelo Carvalho, da Ancar Gestão Integrada de Shopping Centers.

América Latina em compasso de espera
A indústria de shopping centers parou na Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai, à espera de uma recuperação econômica. Foi o que demonstrou, em sua apresentação no 7o Congresso Internacional, o uruguaio Carlos Lecuerder, empreendedor e administrador de shoppings com experiências em todo o continente.
"Os projetos foram interrompidos", disse ele, após mostrar os números de empreendimentos, lojas, e a evolução das vendas nos quatro países nos últimos cinco anos.
"No Chile nada acontece - a economia cresce cerca de 3% ao ano, quando antes crescia 7%. O Uruguai inveja isso - o país aposta na reestruturação do sistema bancário. A Argentina se prepara para eleições, acreditando que conquistará o apoio internacional no próximo governo. O Paraguai vive uma recessão permanente", resumiu.
Segundo Lecuerder, a indústria de shoppings nestes países está desenvolvendo mecanismos de sobrevivência neste período de dificuldades. Diminuir as despesas é a principal meta e para isso vale inclusive a redução do horário de funcionamento - "em outros tempos, lutávamos para estender o horário, agora a situação pede o contrário". Também foram reduzidas as ações de marketing envolvendo sorteios e os eventos de massa que não geram receita significativa. Em contrapartida, aumentaram as promoções com apelo em preço.

Estados Unidos em plena recuperação
Depois do cenário triste apresentado por Carlos Lecuerder, o presidente do International Council of Shopping Centers, Michael Kercheval mostrou horizontes para o público do 7o Congresso Internacional, dizendo que a economia americana está em plena recuperação. Ele fez um histórico da indústria americana de shoppings, mostrando a evolução desde 1956, quando foi inaugurado o primeiro shopping regional fechado norte-americano - o Southdale Center.
"Os varejistas mudaram muito nos quarenta anos que se seguiram, mas os shopping centers não tanto. A partir dos anos 90 é que a indústria de shoppings começa a enfrentar desafios que forçam mudanças - a falta de terrenos, restrições governamentais e mudanças no perfil dos consumidores, essencialmente", disse o executivo.
Atualmente, um dos problemas enfrentados pelos shoppings nos Estados Unidos é a falência de grandes redes varejistas - "é um desafio que acaba gerando oportunidades", garantiu Kercheval afirmando que abrem mais novas lojas do que fecham.
Com relação à segurança, o presidente do ICSC mostrou dados de uma pesquisa revelando que 88% dos consumidores americanos não mudaram de comportamento em relação ao 11 de setembro. A maior preocupação dos clientes de shoppings ainda é a segurança dos estacionamentos (56% dos entrevistados na pesquisa apontaram este item. Em segundo lugar (com 24% dos entrevistados), vêm a preocupação com os adolescentes "que aparentam vandalismo". Apenas 6% dos entrevistados revelaram preocupação com terrorismo. Como medidas para aumentar a segurança nos shoppings, Kercheval mencionou a instalação de quiosque como posto policial no mall e carros da polícia parados nos estacionamentos dos shoppings, além do uso cada vez maior dos circuitos internos de televisão.

Langoni vê clima favorável para empresariado no médio prazos
O ex-presidente do Banco Central, Carlos Geraldo Langoni, fêz uma análise macro-econômica dos últimos anos e traçou um cenário para o futuro durante apalestra de abertura do 7º Congresso Internacional da ABRASCE: Shopping Centers na América Latina. Em um futuro de curto prazo, até o final do ano, Langoni não está otimista. Prevê crescimento de 1,5% do PIB e inflação em tono de 10%, mas no médio prazo "as expectativas serão menos difíceis, com um clima favorável para o investimento privado partindo do princípio que o novo presidente atue de forma responsável".
Para Langoni, o Brasil tem dois grandes desafios, que são diminuir suas vulnerabilidas internas (dívida pública e política fiscal) e externas (déficit em conta corrente alto). Para Langoni, o país tem condições de crescer a taxas de 5% ao ano. Ele acredita que o risco-brasil hoje, expurgadas as causas eleitorais, deveria estar em 900 pontos.
Antes de Langoni, o novo chairman do ICSC, Gary Rappaport, saudou os participantes do Congresso, dizendo que os shopping centers no Brasil são "uma história de sucesso" e que os pioneiros de mais de 30 anos continuam no mercado continuam em atividade, muitas das empresas lideradas agora, pelos filhos de seus fundadores. "Tenho quatro filhos e espero que um dia eles me substituam", disse o empreendedor de shopping centers americano.
Ao abrir o Congresso, o presidente da ABRASCE, Paulo Stewart, disse que a "indústria de shopping centers passa por um momento memorável" em clima de competição e alta profissionalização, o que pode ser comprovado pelo alto nível dos expositores da VII Exposhopping.

Martha destaca importância dos shoppings na abertura da VII Exposhopping
A prefeita de São Paulo, Martha Suplicy, abriu na noite de domingo a VII Exposhopping, feira de comércio e serviços que se realiza conjuntamente ao 7º Congresso Internacional da ABRASCE: Shopping Centers, no Hotel Transamerica, em São Paulo. Em seu discurso, lembrou a importância do setor na cidade de São Paulo, que tem mais shoppings do que todos os países da América do Sul em conjunto, não só como força econômica, mas também como ferramenta para fomentar o turismo de lazer e entretenimento.
O presidente da ABRASCE (Associação Brasileira de Shopping Centers), Paulo Stewart, acompanhado do vice-presidente Carlos Jereissati Filho, recepcionou a prefeita, o chairman do ICSC (International Council of Shopping Centers), Gary Rappaport, e o presidente do ICSC, Scott Harris e anunciou a abertura da Exposhopping.
Martha, em seu discurso, fez um chamamento aos empresários de São Paulo para que atuem em parceria junto à prefeitura para a comemoração dos 450 anos da cidade, a maior do hemisfério sul, como lembrou Stewart. Este foi um momento de descontração, quando Martha disse que a prefeitura estava investindo na reforma do Shopping Ibirapuera para, logo depois, com um sorriso, corrigir: "Parque do Ibirapuera".


 










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